Maio 23 2012

"Tony Buzan, um bem sucedido autor inglês, lança pela BBC desde 1974 periódicas edições ou reimpressões do livro Use Your Head (Use a Cabeça). O quarto capítulo desse livro trata da leitura, que para Buzan é o inter-relacionamento total do indivíduo com a informação simbólica. Esse inter-relacionamento desenvolve-se em sete passos."

Citação de: Cunha, Murilo (2012). "Como resolver o x do problema da leitura?" In Blogue "A Informação".

 

 

publicado por apvnpoiares às 08:00

Maio 12 2012

José Luís Peixoto escreveu um texto extraordinário sobre a importância dos professores na nossa vida.

 

"Os professores

O mundo não nasceu connosco. Essa ligeira ilusão é mais um sinal da imperfeição que nos cobre os sentidos. Chegámos num dia que não recordamos, mas que celebramos anualmente; depois, pouco a pouco, a neblina foi-se desfazendo nos objectos até que, por fim, conseguimos reconhecer-nos ao espelho. Nessa idade, não sabíamos o suficiente para percebermos que não sabíamos nada. Foi então que chegaram os professores. Traziam todo o conhecimento do mundo que nos antecedeu. Lançaram-se na tarefa de nos actualizar com o presente da nossa espécie e da nossa civilização. Essa tarefa, sabemo-lo hoje, é infinita.

 

O material que é trabalhado pelos professores não pode ser quantificado. Não há números ou casas decimais com suficiente precisão para medi-lo. A falta de quantificação não é culpa dos assuntos inquantificáveis, é culpa do nosso desejo de quantificar tudo. Os professores não vendem o material que trabalham, oferecem-no. Nós, com o tempo, com os anos, com a distância entre nós e nós, somos levados a acreditar que aquilo que os professores nos deram nos pertenceu desde sempre. Mais do que acharmos que esse material é nosso, achamos que nós próprios somos esse material. Por ironia ou capricho, é nesse momento que o trabalho dos professores se efectiva. O trabalho dos professores é a generosidade.

 

Basta um esforço mínimo da memória, basta um plim pequenino de gratidão para nos apercebermos do quanto devemos aos professores. Devemos-lhes muito daquilo que somos, devemos-lhes muito de tudo. Há algo de definitivo e eterno nessa missão, nesse verbo que é transmitido de geração em geração, ensinado. Com as suas pastas de professores, os seus blazers, os seus Ford Fiesta com cadeirinha para os filhos no banco de trás, os professores de hoje são iguais de ontem. O acto que praticam é igual ao que foi exercido por outros professores, com outros penteados, que existiram há séculos ou há décadas. O conhecimento que enche as páginas dos manuais aumentou e mudou, mas a essência daquilo que os professores fazem mantém-se. Essência, essa palavra que os professores recordam ciclicamente, essa mesma palavra que tendemos a esquecer.

 

Um ataque contra os professores é sempre um ataque contra nós próprios, contra o nosso futuro. Resistindo, os professores, pela sua prática, são os guardiões da esperança. Vemo-los a dar forma e sentido à esperança de crianças e de jovens, aceitamos essa evidência, mas falhamos perceber que são também eles que mantêm viva a esperança de que todos necessitamos para existir, para respirar, para estarmos vivos. Ai da sociedade que perdeu a esperança. Quem não tem esperança não está vivo. Mesmo que ainda respire, já morreu.

 

Envergonhem-se aqueles que dizem ter perdido a esperança. Envergonhem-se aqueles que dizem que não vale a pena lutar. Quando as dificuldades são maiores é quando o esforço para ultrapassá-las deve ser mais intenso. Sabemos que estamos aqui, o sangue atravessa-nos o corpo. Nascemos num dia em que quase nos pareceu ter nascido o mundo inteiro. Temos a graça de uma voz, podemos usá-la para exprimir todo o entendimento do que significa estar aqui, nesta posição. Em anos de aulas teóricas, aulas práticas, no laboratório, no ginásio, em visitas de estudo, sumários escritos no quadro no início da aula, os professores ensinaram-nos que existe vida para lá das certezas rígidas, opacas, que nos queiram apresentar. Se desligarmos a televisão por um instante, chegaremos facilmente à conclusão que, como nas aulas de matemática ou de filosofia, não há problemas que disponham de uma única solução. Da mesma maneira, não há fatalidades que não possam ser questionadas. É ao fazê-lo que se pensa e se encontra soluções.

 

Recusar a educação é recusar o desenvolvimento.

 

Se nos conseguirem convencer a desistir de deixar um mundo melhor do que aquele que encontrámos, o erro não será tanto daqueles que forem capazes de nos roubar uma aspiração tão fundamental, o erro primeiro será nosso por termos deixado que nos roubem a capacidade de sonhar, a ambição, metade da humanidade que recebemos dos nossos pais e dos nossos avós. Mas espero que não, acredito que não, não esquecemos a lição que aprendemos e que continuamos a aprender todos os dias com os professores. Tenho esperança."

 

José Luís Peixoto, in revista Visão (Outubro, 2011)

Blogue do autor

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Maio 07 2012

O "obscurantismo programado" é um conceito cunhado por Alberto Melo, teórico da educação de adultos, que visa explicar o resultado de políticas educativas discriminatórias e excludentes que foram largamente difundidas (e implementadas) durante o Estado Novo. Segundo este teórico, os representantes do Estado Novo desenvolveram políticas educativas que faziam a apologia da ignorância e das virtudes intrínsecas do povo português. Em texto publicado na Revista "O Direito de Aprender", Alberto Melo traz-nos palavras do deputado Pinto da Mota, que afirmava em 1938: “Deformar o espírito de quem aprende é a maior das desgraças; é melhor deixá-los analfabetos do que com o espírito deformado... Se nós queremos entregar esse milhão e seiscentos mil analfabetos nas mãos de qualquer professor, esses homens podem vir a transformar-se em inimigos da sociedade”. Ler, escrever e contar foram, assim, durante décadas, consideradas atividades menores (e até perigosas) para as classes populares.

Ainda hoje ouvimos dizer: "Estudar para quê? Eles que vão mas é trabalhar!" A escola e o trabalho intelectual, ainda são vistos como sinónimos de não trabalho. O papel da biblioteca e dos bibliotecários é assim fundamental para erradicar a ideia de que escola é um lugar dispensável para as classes populares. Como? Ajudando a difundir a leitura, a aprendizagem e o conhecimento como fatores fundamentais para o desenvolvimento cultural, económico, político e social das comunidades. Daí que seja preciso difundir a ideia de uma escola em que trabalhar para obter resultados positivos é uma tarefa que congrega vontades e ações de todos os parceiros da comunidade educativa. Sem perdermos de vista um princípio ético fundamental: uma escola onde se trabalha para se atingirem resultados, jamais poderá ser uma escola discriminatória e excludente.

 

 

Referências bibliográficas:
Melo, Alberto (2008). "A ausência de uma política de educação de adultos é uma forma de controle social". In Revista O Direito de Aprender, sd.

Cunha, Murilo (2012). "Como resolver o x do problema da leitura?" In Blogue "A Informação".

publicado por apvnpoiares às 08:00

Publicitam-se as actividades e os projectos da APais. Publicitam-se as actividades educacionais público-privadas que envolvam crianças, jovens e pais.
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